A guerra dos titãs
Antes de reinar no Olimpo, Zeus teve de o conquistar. Esta é a história que os gregos contavam sobre essa guerra.
Cronos e o medo de perder o trono
No princípio reinavam os titãs, filhos do Céu e da Terra. O mais novo, Cronos, tinha destronado o próprio pai e ouvira uma profecia: um dos seus filhos faria o mesmo com ele. Para o evitar, engolia cada filho que a mulher, Reia, dava à luz. Assim desapareceram Héstia, Deméter, Hera, Hades e Posídon.
O filho que escapou
Quando nasceu o sexto filho, Reia entregou a Cronos uma pedra embrulhada em panos. Cronos engoliu-a sem desconfiar. O bebé, Zeus, foi criado às escondidas numa gruta da ilha de Creta, alimentado com o leite da cabra Amalteia.
Já adulto, Zeus fez o pai beber uma poção que o obrigou a devolver os filhos, todos vivos e crescidos. Os irmãos juntaram-se a ele. A guerra ia começar.
Dez anos de guerra
De um lado, os titãs, instalados no monte Ótris e, segundo algumas versões, comandados por Atlas. Do outro, Zeus e os irmãos, no monte Olimpo. A guerra durou dez anos sem vencedor.
Zeus desceu então ao Tártaro e libertou dois grupos de prisioneiros antigos: os Ciclopes e os Hecatonquiros, gigantes de cem braços. Os Ciclopes forjaram três armas em agradecimento:
- o raio para Zeus;
- o tridente para Posídon;
- o elmo da invisibilidade para Hades.
Com os raios de Zeus e as pedras lançadas pelos Hecatonquiros, os titãs foram vencidos.
O castigo dos vencidos
Os titãs foram fechados no Tártaro, a parte mais funda do mundo, com os Hecatonquiros de guarda. Atlas recebeu um castigo à parte: segurar o céu aos ombros, para sempre, no extremo ocidental do mundo. Para os gregos, esse extremo ficava para os lados do Atlântico, o oceano a que deu o nome.
Os três irmãos dividiram então o mundo à sorte. A Zeus coube o céu, a Posídon o mar, a Hades o mundo dos mortos.
A revolta dos gigantes
A Terra, mãe dos titãs, não perdoou. Deu à luz os gigantes, que atacaram o Olimpo com rochedos e árvores em chamas. Esta segunda guerra chama-se Gigantomaquia. Nela já combatem os deuses mais novos: Atena, Apolo, Ares e Dioniso. O rei dos gigantes, Porfírion, caiu atingido pelo raio de Zeus e por uma flecha de Héracles.
Tifão, o último inimigo
Restava o pior. Tifão era um monstro tão alto que tocava as estrelas, com cabeças de serpente a sair dos ombros. Conta-se que os deuses fugiram ao vê-lo. Zeus enfrentou-o sozinho, feriu-o com os raios e atirou-lhe para cima o monte Etna, na Sicília. Quando o vulcão deita fogo, diziam os antigos, é Tifão a tentar libertar-se.
A geologia dá razão à imaginação grega: o Etna não é uma única boca de fogo, mas um vulcão com mais de 300 crateras e bocas secundárias espalhadas pelos seus flancos, resultado de milhares de anos de erupções em pontos diferentes da montanha. Fácil de acreditar que lá em baixo está algo maior do que uma simples câmara de magma.
Da história para o jogo
Batalha do Olimpo segue esta ordem. Primeiro os titãs: Jápeto, Hipérion, Atlas e o próprio Cronos. Depois Porfírion, rei dos gigantes. No fim, Tifão. As armas forjadas pelos Ciclopes estão no tabuleiro: o raio e o tridente são os símbolos que mais ferem.