O Olimpo n'Os Lusíadas
Em 1572, Luís de Camões pôs os deuses do Olimpo a discutir o futuro de Portugal. O episódio ainda hoje se estuda nas escolas portuguesas.
O que está em jogo
O Concílio dos Deuses abre a ação do poema, no Canto I. A armada de Vasco da Gama já navega no oceano Índico quando Júpiter manda Mercúrio chamar todos os deuses ao Olimpo. A chegada dos portugueses à Índia já está escrita pelo destino. O que os deuses vão decidir é se os ajudam ou não nessa viagem.
Quem fala e o que defende
Júpiter
Abre a sessão. Lembra os feitos antigos dos portugueses e defende que merecem ser bem recebidos na costa africana, para descansarem antes de seguirem viagem.
Baco
É o opositor. No Oriente prestava-se culto a Baco, e ele teme que a fama dos portugueses apague a sua.
Vénus
Defende os navegadores. Vê neles a coragem dos romanos, descendentes do seu filho Eneias, e ouve na língua portuguesa um eco do latim.
Marte
Quando a discussão azeda, é Marte quem bate com o bastão no chão e pede a Júpiter que mantenha a decisão. Gosta dos portugueses por serem um povo guerreiro e, diz Camões, por um antigo amor a Vénus.
Júpiter acena que sim, e o concílio desfaz-se. Os portugueses terão ajuda. Baco, porém, não desiste.
Os deuses ao longo da viagem
- Ciladas de Baco. Em Moçambique e em Mombaça, Baco arma emboscadas à armada. Vénus e as ninfas do mar desviam as naus do perigo.
- O concílio do mar. No Canto VI, Baco desce ao palácio de Neptuno e convence os deuses marinhos a soltar uma tempestade. Vénus volta a salvar os navegadores.
- O Adamastor. No Canto V, um gigante ergue-se no Cabo das Tormentas. Camões inventou o episódio, mas foi buscar a figura aos gigantes da mitologia grega.
- A Ilha dos Amores. No regresso, nos Cantos IX e X, Vénus prepara uma ilha de recompensa para os marinheiros, onde a ninfa Tétis mostra a Vasco da Gama a máquina do mundo.
Porque usou Camões deuses pagãos
Os grandes poemas épicos da Antiguidade, a Ilíada, a Odisseia e a Eneida, tinham deuses a intervir na ação. Camões quis medir-se com esses modelos. Os deuses dão ao poema o seu plano maravilhoso e engrandecem os portugueses: se até o Olimpo se divide por causa deles, é porque o feito é enorme.
O mesmo Zeus, com outro nome
O Júpiter que preside ao concílio de Camões é o Zeus de Batalha do Olimpo. No jogo, ainda está a conquistar o trono aos titãs. No poema, já reina há muito e é a ele que todos os deuses obedecem.